Hi Brazil

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HIBRAZIL
O pessoal da Daemon me pediu pra escrever uma resenha sobre Hi Brazil, baseado nas minhas impressões sobre a matéria publicada na DB101 e também na minha experiência como playtester do livro.

Pensei um tempão em como escrever esta resenha: fiquei imaginando em começar escrevendo “o Hi Brazil é parecido com o RPG X, Y ou Z…” mas depois de um tempo cheguei à conclusão de que o Hi Brazil não é parecido com NADA que já tenha sido publicado em RPG, exceto nas partes que o DD deliberadamente utilizou para tirar sarro do próprio universo do RPG Medieval estereotipado.

Como assim?

Bem. Antes de mais nada, eu preciso explicar uma coisa chamada Semiótica. Normalmente isso levaria um semestre em uma faculdade mas, como estamos com pressa de ler a resenha, vou simplificar bastante: Semiótica é a arte de usar e abusar dos símbolos, signos e significados para obter uma determinada resposta do leitor. Para o Hi Brazil, Del Debbio se baseou em três pontos: História Política do Brasil, Folclore Brasileiro e o próprio conceito de RPG Medieval tolkeniano.

A idéia básica do livro é um RPG de Fantasia Medieval baseado no Folclore Brasileiro, mas sem repetir a fórmula já gasta em outros jogos como Desafio dos Bandeirantes ou Era do Caos… Não! Hi Brazil deveria ser realmente original… o CONCEITO realmente brasileiro.

Em primeiro lugar, o que um bom RPG de Fantasia Medieval precisa?

Mapas, Reinos, um grande conflito, um rei copiado do Rei Arthur, um Senhor do Mal, Elfos que vivem nas florestas, Anões que vivem nas montanhas, Orcs malvados, um deserto, uma floresta sinistra, um grande rio, etc, etc… tenho certeza que você já identificou as descrições acima em dezenas de RPGs…

Agora, vamos guardar esta imagem na mente e passar para esta outra escrivaninha, onde temos a história do Brasil… descobrimento, capitanias hereditárias, feudos familiares no Nordeste, escravidão, preconceito racial, coronéis, corrupção, governo totalmente incompetente, impostos que não retornam à população, pobreza, seca, uma floresta inexpugnável, um pantanal, uma ditadura, uma capital construída no meio do nada sem motivo algum, um partido político “comunista” chegando ao poder, gerando uma onda de pânico nas camadas “nobres” da população, para depois manter tudo da mesmíssima maneira que estava antes, etc, etc, etc… reconhece este país?

Voltemos ao RPG Medieval…

Um mapa?

Nada mais justo do que usar o próprio mapa da América do Sul, mas inclinado 90o (esse foi um dos lances mais geniais do DD, na minha opinião).

Reinos?

Bem… vamos olhar novamente o Mapa e compará-lo com a realidade… muitos reinos já surgem em nossa cabeça: Eu vou dar umas dicas e você tenta adivinhar que parte da América do Sul correspondem esses reinos, ok?

Hi Brazil (considerado o “umbigo” do continente… a região onde as pessoas acham que é a parte “civilizada” do Continente… onde quase todas as novelas da Globo acontecem), o Império (dominado por Imperador, que mantém feudos familiares em cada condado… dica: tem um deserto da Caatinga, muita gente passando fome e uns poucos e abastados coronéis nos engenhos), a Floresta das Chuvas, o Grande Pântano, Reinos Mayas, Reinos Incas, Reinos Argentos, Reinos Súlfidos, a Guilda (um lugar onde os falsificadores, ladrões e picaretas se encontram…) e as Minas Gerais.

Um grande Conflito

O exército do Imperador quer o domínio de todo Hi Brazil, mas o Exército da Estrela Vermelha está disposto a enfrentá-lo para continuar com o poder (qualquer semelhança com fatos políticos é mera coincidência). Um Rei copiado do Rei Arthur: No nosso caso, é o grande Rei Inácio, sujeito bondoso, de origem humilde e ingênuo que se tornou líder de um grande exército, o Exército da Estrela Vermelha, e acabou chegando ao poder…

Um Senhor do Mal

O Imperador… com poderes divinos miraculosos, o Imperador é temido em todo o continente, com seus coronéis e seu poder mágico (capaz até de mudar votações no senado se for necessário). A mistura com o Imperador do Star wars e seus asseclas NÃO foi coincidência, mas já chego lá… Elfos que vivem nas Florestas: Bem… os elfos do Tolkien são “arianos” demais pro meu gosto, mas existe uma região do Brasil que é conhecida pelas suas lindas loiras saradas… e não temos elfos, mas Súlfidos (aqueles que vieram do sul, sacaram? Loiros, altos e de olhos azuis).

Anões nas Montanhas?

Originalmente não era para ter anões, mas uma conjunção planetária disse que eles precisariam existir… se haviam dois exércitos gigantescos prontos para entrar em guerra em reinos vizinhos, por que diabos eles não entravam logo em combate? A resposta veio com o próprio nome da região: Minas Gerais!!! Uma cadeia de montanhas tão alta e inóspita que nenhum dos exércitos consegue cruzar para o outro lado… e ninguém melhor para povoar as minas do que os anões… Como rei dos anões, nosso bom e velho Itamaro, o louco (provavelmente os leitores mais jovens não vão entender essa…)

Orcs malvados

Essa opção era complexa, porque não haviam muitos grupos de monstros do folclore nacional que se encaixariam nessa necessidade básica de um RPG medieval estereotipado… optamos por duas raças: Índios Canibais (que existiram mesmo) e uma lenda venezuelana dos Kanaymas (homens-onça). Além disso, optamos por fazer o Imperador semelhante ao Imperador de Star Wars para que seus soldados-de-armadura-bege também fossem usados como bucha-de-canhão pelos heróicos aventureiros iniciantes.

Um deserto Inexpugnável

Não temos deserto, mas temos a Caatinga, que cumpre bem esse papel… montros e criaturas malignas infestam esse local, como cobras gigantes, aranhas, e os terríveis Negros-do-rio, às margens do São Francisco. Uma Floresta Sinistra e um Grande Rio: bem… temos os dois juntos também. A Floresta das Amazonas (claro que adicionamos Amazonas na floresta!) e o Rio das Amazonas Também temos um “Grande Pantano” no centro do Continente. E antes que você pergunte, com tudo que os bons pântanos de Fantasia Medieval têm direito.

Além desses elementos básicos e óbvios, fica evidente que o nosso RPG-de-fantasia-medieval precisava de um “mas”… pode reparar que todos os RPGs medievais são “cópias do mundo do Tolkien, mas…” e precisávamos de um “mas”… não tínhamos nenhuma tormenta, nem cíclopes, nem lagartos ou minotauros… mas tínhamos uma coisa muito interessante que nenhum outro RPG tem, chamada “Escravidão e Preconceito”.

Na história de Hi Brazil, o Imperador, com seus poderes mágicos, conjurou com a ajuda de seus feiticeiros uma raça extraplanar para fazer o trabalho escravo em seus engenhos de açúcar. Uma raça chamada Afrikans (que se subdividem em três subraças, os Bantos, os Yorubas e os Pigmeus), de guerreiros nobres, fortes e poderosos, que foram aprisionados misticamente e obrigados a trabalhar para os Engenhos de Cana de Açúcar, até que uma Arquimaga chamada Isabel conjurou o Feitiço Áureo e libertou os escravos, que fugiram, mas, sem ter para onde ir ou dinheiro para se sustentarem, vivem hoje com bastante dificuldades, nas camadas mais pobres da população e sofrem muito preconceito (essa parte é ficção… não temos isso no mundo real!). Apesar disso, são nobres e possuem poderes especiais. Alguns combatem o Império em suas cidades fortificadas chamadas Kilombos.

Outro “mas” foi a presença de drogas… sim, drogas… (mas isso não existe em um RPG medieval!!! – blasfêmia). Em Hi Brazil existe um cogumelo azul viciante dotado de poderes mágicos chamado Cookha, plantado nas regiões Mayas e largamente exportado para Hi Brazil… na verdade, os traficantes fazem até um “poder paralelo” rivalizando os corruptos e incompetentes governadores dos Reinos de Hi Brazil (essa parte também é ficção).

Mas onde entra a parte da tal de semiótica?

Se você ainda não entendeu, mesmo com os exemplos acima, vou dar mais alguns:

Os nomes das cidades e sua história/monumento/curiosidade principal foram transformados pelo MDD em elementos de fantasia medieval, usando signos e simbolos que o leitor identifica fácil… quer ver?

Algumas das cidades mais conhecidas do Império são Recifes (uma cidade construíde inteiramente de corais e recifes, por um povo-do-mar que foi exterminado e aprisionado pelo imperador), Fortaleza (uma grande fortaleza para onde são enviados os inimigos do Imperador que por algum motivo ele quer que fiquem vivos), A Ilha dos Búfalos, A Ilha das Bruxas, Itú, a cidade dos gigantes, Campinas e Pelotas, as cidades halflings (tudo bem, essa não foi muito politicamente correta, mas quero ver quem vai discordar!), Os Reinos Argentos (que foram feitos à imagem e semelhança das legiões romanas do Asterix, sempre levando pau dos Súlfidos…), os Centauros dos Pampas, as Terras Acres, Eldorado Machu Pichu… o Porto do Rio de Janeiro, com sua estátua de um Deus petrificado de braços abertos (não íamos deixar de sacanear com Valkaria…), dominada pelos traficantes goblins que vivem nos morros, ou San Paolo, a cidade fortificada que possui tantos muros, mas tantos muros que nas épocas de monções é comum ocorrerem alagamentos por toda a cidade, com a água represada, sem contar sua rainha louca, Martaxa, que cobra impostos sobre tesouros encontrados por aventureiros, entre outras mil taxas…

Hi Brazil também possui muitos heróis, como Macunaíma (se você não conhece não sou eu quem vai explicar), dr. Dummont (um inventor que dizem ter criado uma máquina capaz de voar sem o auxílio de magia), Zumbi, rei dos Afrikans, que dizem ter mais de 300 anos de idade, Lampião, o goblin líder das Caatingas, e muitos outros…

E, como definir Hi Brazil? Para os leitores mais jovens, talvez seja apenas “mais um” mundo de RPG com elfos, anões e um Imperador poderoso para ser derrotado, mas para o leitor mais maduro, Hi Brazil provavelmente vai ser o mundo mais interessante e original que vocês já viram.

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